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    Sinal fechado

    a música popular brasileira sob censura (1937-45 / 1969-78)

    de Alberto Moby R. da Silva

    O livro, originalmente escrito em 1994, tem, segundo o autor, suas raízes no subúrbio carioca de Campo Grande dos anos 70. Entremeado por letras de canções e histórias singulares, o texto de Sinal Fechado produz uma leitura agradável e de conteúdo rico, capaz de oferecer ao leitor um passeio por nossa história recentemente marcada pela ditadura militar e a expressão da MPB - Música (?) Popular Brasileira.
    Ao escrever o prefácio, José D`Assunção Barros destaca que no entrecruzamento de uma História Cultural e de uma História Política, onde o que se busca é examinar os jogos de poderes e contrapoderes que afetaram a Música Popular Brasileira em dois períodos específicos da nossa história, a obra também pode ser considerada um trabalho extremamente relevante de História Comparada, uma vez que se propõe a examinar comparativamente a inserção da Música Popular Brasileira em dois contextos diferenciados de ditaduras: o Período Vargas e a Ditadura Militar mais recente. O objetivo central do autor, assim poderia ser colocado, foi o de examinar – através da Censura mobilizada por estes dois governos ditatoriais contra a produção musical brasileira de sua época – as relações entre o Estado, a Sociedade e as práticas culturais relacionadas às atividades musicais. Mais particularmente ainda, trata-se de examinar as relações do Estado com a esfera da criação musical relacionada à Música Popular Brasileira.
    NAS PALAVRAS DO AUTOR, no Brasil, a música popular, provavelmente mais do qualquer outra manifestação cultural, por sua ampla penetração na camada média urbana da população, tem tido papel fundamental na formação de uma identidade nacional. Por isso, em sua face mais autoritária, o Estado brasileiro dedicou a ela especial atenção, vendo-a ora como instrumento de ação política e propaganda ideológica, ora como obstáculo à sua concretização.
    Sinal Fechado é um estudo comparativo dos dois períodos em que, no século XX, o Estado brasileiro se apresentou explicitamente à sociedade como autoritário – o Estado Novo, de 1937 a 1945, e o regime militar pós-1964, particularmente durante a vigência do Ato Institucional n° 5, entre 1969 e 1978 –, através das suas relações com a música popular. O autor analisa a censura estatal à música popular brasileira, demonstrando que, em sua relação com a indústria fonográfica e de espetáculos, com os cantores e compositores e com o público ouvinte, o Estado Novo foi capaz de cooptar o mundo musical com o objetivo de transformá-lo em porta-voz de seu projeto de um “Brasil Novo”, enquanto ao regime militar coube lançar mão da violência da coerção, com o objetivo de silenciar qualquer músico que pudesse representar um obstáculo a seus objetivos políticos.
    Entre os elementos inovadores de Sinal Fechado, vale destacar a discussão sobre a sigla MPB, durante a ditadura militar, que é vista pelo autor não simplesmente como abreviatura da expressão música popular brasileira, mas como uma espécie de “movimento” de resistência cultural ao regime, em torno do qual se agrupou (ainda que não necessariamente de forma intencional e programática) uma quantidade expressiva de compositores, cantores e músicos e também parte significativa de seus públicos. Neste sentido, o “movimento” MPB não definiria nenhum ritmo, nenhum estilo musical em particular e nem sequer uma temática específica, mas uma vontade de jogar “no campo do adversário”, como dizia o compositor e cantor Gonzaguinha na música Geraldinos e arquibaldos, de 1975.

    ISBN: 978856102201-3

    Código: MDE25

    Idioma: Português

    Páginas: 226

    Edição: 1ª edição

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